Estudantes do curso de História participam de palestra sobre negro e ciência


Com o tema: “A produção do (des)conhecimento: negro, ciência
e representações nos livros didáticos da Educação Básica” a palestra foi realizada no dia 19/11

 

Estudantes do curso de História da FAFICA participaram na última segunda-feira (19), de uma palestra, realizada no auditório da faculdade, com o tema: “A produção do (des)conhecimento: negro, ciência e representações nos livros didáticos da Educação Básica”. O evento foi organizado pelo Centro Acadêmico do curso (CA de História) e coordenado pelos professores Thiago Silva e Diana Assis e contou com o apoio da coordenação do curso. O evento compõe as atividades do mês de conscientização pela consciência negra, trabalhado na FAFICA.

 

Na ocasião, foram convidadas duas pesquisadoras da área, as professoras, Halda Simões que é mestre em educação pela UFPE e professora do IFPE e a professora, Camila Ferreira, doutoranda em educação pela UFPE, que falaram sobre suas pesquisas de mestrado e compartilharam com os estudantes as experiências que contribuem na ampliação da abordagem trabalhada em sala de aula.

 

Para a professora, Halda Simões é fundamental trabalhar a temática com os futuros docentes. “A proposta é aproveitar este mês de novembro em que as pessoas estão mais sensíveis para trabalhar a ideia da consciência negra, da representação negra e trazer um pouco da relação entre negro e ciência. E como essa produção de conhecimento por muito tempo endossou as desigualdades, em face dos negros, da população negra. Então há esse processo de sensibilização das pessoas no sentido de pensar em novas formas de conhecimento que não sejam hierarquizantes, e sim, mais igualitárias, mais humanitárias e mais democráticas. Ao mesmo tempo, a gente sensibiliza os estudantes para que eles atenham esse cuidado no processo da sala de aula, já que estamos lidando com futuros docentes e que existe essa necessidade de estarem atentos às questões sobre a desigualdade, o racismo, e que elas precisam ser minoradas e combatidas também na sala de aula”, destaca.

 

Camila Ferreira, mestra em educação e doutoranda na área destaca que trabalha a representação do negro no livro didático da educação básica por considerar que os professores que estão em formação, irão lidar com esse conteúdo em sala de aula. “Discutimos em que medida ele vai re-significar, em que medida o que está posto pode ser considerada uma verdade ou não. Então é analisar o que está dentro do livro não como uma verdade absoluta. As desigualdades raciais, sexuais, e também religiosas, todas estão presentes dentro do livro didático. É nesse momento em que o professor tem a possibilidade de observar esse livro e pensar, a partir de sua prática, como ele pode re-significar isso”, disse.

 

A professora dos cursos de licenciaturas da FAFICA, Diana Assis falou sobre a realização do evento. “A proposta foi apresentada pelo CA do curso de história e o evento serviu para reafirmar o que nós trabalhamos em sala de aula. Falar sobre a consciência negra, não se limita ao mês de novembro, mas sim em todos os dias. Temos que trazer esse pensamento reflexivo para a nossa prática, principalmente enquanto educadores”, enfatiza.

 

Durante o evento os estudantes da FAFICA puderam apreciar a exposição da artista plástica, Daniele Guerreiro, que apresentou na Tenda de Leituras quadros e imagens que retratam os orixás, do candomblé, religião de matriz africana.

 

A artista plástica falou sobre a inspiração para pintar as telas e confeccionar os orixás em imagens. “Eu comecei a pintar a cultura negra, através de Abdias do nascimento. Ele me inspirou a ‘dar um grito’, pedindo ajuda na luta dos negros como pedia o Abdias. Os negros sofrem muito preconceito em si, e a religião negra, do candomblé e da umbanda, mais ainda. Por conta disso eu me inspirei e também porque muita gente mal conhece os orixás e o que me chamou atenção é a ligação dos orixás com a natureza. Trouxe peças em telas que eu pintei e as imagens que representam alguns dos orixás”, explicou Daniele Guerreiro.

 

Fotos: Ermesson Cruz

 

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